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Comunidade de Caranguejo Tabaiares conquista revogação do decreto que desapropriaria moradias

18 October /Popular Center of Human Rights / Direito à Moradia , Caranguejo Tabaiares

Depois de 3 meses do decreto, comunidade comemora vitória da campanha #revogaodecretoprefeito

Em 24 de julho a comunidade de Caranguejo Tabaiares recebeu um decreto de desapropriação do Prefeito Geraldo Júlio que anunciava a remoção de 74 famílias do Canal do Prado. Recusando-se a deixar sua comunidade, os moradores, junto a uma rede de apoio formada junto ao Centro Popular de Direitos Humanos, Cooperativa Arquitetura, Urbanismo e Sociedade e Recife de Luta, criaram a campanha #revogaodecretoprefeito, recolhendo fotografias de moradores da comunidade, políticos, professores universitários e demais apoiadores com a placa da campanha. Somando-se a isso, o Coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste lançou no dia 10.10 o videoclipe Sem destruição, que já conta com milhares de visualizações nas redes sociais. O vídeo  fala através do passinho, o ritmo do momento, que os moradores não querem sair da comunidade e são contra as remoções. A produção foi realizada pela juventude da comunidade, junto aos jovens do curso de audiovisual Coque Vídeo, da comunidade vizinha. 

Depois de tanta movimentação, que incluiu um Mandado de Segurança para suspender as desapropriações, protocolado pelo CPDH no dia 28 de agosto e um fechamento de rua no dia 07 de Agosto, a comunidade conquistou o que desejava: o sonho de permanecer onde construíram sua história. 

“Estamos muito felizes, essa é uma resposta da luta de toda a comunidade e também o começo de um trabalho com os movimentos de toda a cidade, para que entendam a importância de se mobilizar. Nós estamos nos organizando e não vamos aceitar esse tipo de violação de direito das zeis e áreas de interesse social”, diz Sarah Marques, mobilizadora do Coletivo Caranguejo Tabaiares Resiste. 

Depois da conquista, a comunidade se prepara agora para solidificar sua presença no bairro através da Regularização Fundiária: “Precisamos garantir agora a segurança da posse da terra das famílias, que desde de 95 esperam a Regularização Fundiária. Já demos entrada num pedido administrativo em 11 de julho. Esperamos a formação do Grupo de Trabalho com ampla participação da comunidade para executar o processo”, diz Renan Castro, advogado popular do CPDH. 

Além da posse da terra, a comunidade deseja um Plano Urbanístico, que traga melhorias de infraestrutura para o bairro como um todo. Os arquitetos e Urbanistas da CAUS (Cooperativa Arquitetura, Urbanismo e Sociedade) querem realizar algo diferente do que faz a gestão pública, “Queremos realizar um PUC (Plano Urbanístico Comunitário). Nesse processo ouvir a comunidade é essencial. É a partir dessa escuta que vamos trabalhar. Ele é realizado através de um processo conjunto com a comunidade para garantir a condição urbana de uma efetivação do direito à cidade, direito à moradia”, diz Matheus Nascimento. . “A comunidade já deixou claro que não vai aceitar coisa pronta. Estamos preparados e organizados para mostrar o que a comunidade quer para a Prefeitura do Recife”, completa Sarah.